Platão nasceu por volta de quatrocentos e vinte e sete antes de Cristo, numa família aristocrática de Atenas.
Tudo indicava que seguiria a carreira política, como era esperado de jovens da sua classe social.
O encontro com Sócrates mudou esse destino. Platão passou anos acompanhando o mestre pelas ruas e ouvindo suas perguntas incômodas.
Quando Atenas condenou Sócrates à morte, o jovem discípulo perdeu qualquer ilusão com a política da cidade.
Viajou pelo Egito, pela Itália e pela Sicília, onde tentou, sem sucesso, aconselhar governantes de verdade.
De volta a Atenas, fundou a Academia, uma escola de filosofia e matemática que funcionou por séculos.
Ele escreveu em forma de diálogos, quase sempre com Sócrates como personagem principal, discutindo com outras pessoas.
Um dos textos mais conhecidos é o mito da caverna, na República.
Nesse mito, prisioneiros vivem acorrentados de frente para uma parede e só veem sombras projetadas por um fogo atrás deles.
Para eles, as sombras são a realidade inteira, porque nunca viram outra coisa na vida.
Quando um prisioneiro consegue sair e vê o sol, entende que vivia enganado, mas ao voltar ninguém acredita nele.
A imagem serve para falar de educação, de ignorância e do preço de dizer verdades desconfortáveis.
Platão defendia que existe um mundo de ideias perfeitas, do qual as coisas do dia a dia são apenas cópias imperfeitas.
Na República, ele imagina uma cidade justa governada por pessoas preparadas para pensar, e não pelos mais ricos ou populares.
Aristóteles foi seu aluno mais famoso, e discordou de boa parte dessas ideias, o que também mostra a liberdade da Academia.
Vinte e quatro séculos depois, ainda se diz que a filosofia ocidental é uma série de notas de rodapé aos textos de Platão.
O nome Platão, segundo a tradição, era um apelido que significava ombros largos, ligado à sua prática de luta na juventude.
Além da política e da filosofia, ele se interessava por matemática, e um cartaz na entrada da Academia dizia que ali não entrava quem não soubesse geometria.
Nas viagens à Sicília, tentou orientar o jovem governante Dionísio a se tornar um rei-filósofo, mas o projeto fracassou e ele quase foi vendido como escravo.
Em outro diálogo famoso, o Banquete, Platão discute a natureza do amor por meio de vários personagens reunidos numa festa em Atenas.
Ele também escreveu sobre a alma, dividindo-a em razão, coragem e desejo, e defendendo que a razão deveria governar as outras duas partes.
A Academia de Platão funcionou por quase novecentos anos, até ser fechada por ordem do imperador Justiniano, já no período do Império Romano.
Muitos dos diálogos de Platão terminam sem uma resposta definitiva, deixando o leitor com perguntas em vez de conclusões fechadas.
Essa forma de escrever, aberta e questionadora, influenciou toda a tradição filosófica ocidental que veio depois dele.
Platão também escreveu sobre a Atlântida, uma suposta civilização perdida, num relato que até hoje inspira debates entre historiadores e curiosos.
Seus textos sobreviveram quase completos até os dias de hoje, algo raro para um autor da Grécia Antiga, graças a cópias feitas ao longo dos séculos.
Pasa el cursor por una palabra para ver la traducción al español · haz clic para escuchar desde ahí.