Nelson Mandela nasceu em mil novecentos e dezoito, em uma aldeia pequena da África do Sul, perto do rio Mbashe. O nome que a família deu a ele foi Rolihlahla. Na língua xhosa, esse nome significa mais ou menos aquele que puxa o galho da árvore, ou seja, o menino que faz confusão.
O pai dele era conselheiro de um chefe local e morreu quando Mandela ainda era criança. Depois disso, o menino foi criado na corte do regente da região. Ali, ele passava horas ouvindo os mais velhos contarem histórias da terra e das guerras antigas.
Foi na escola que uma professora deu a ele o nome inglês Nelson. Naquela época, era comum que crianças africanas recebessem nomes ingleses na sala de aula. Mandela estudou direito e foi para Joanesburgo, onde trabalhou como advogado.
Na cidade, ele viu de perto o sistema do apartheid. As leis separavam as pessoas pela cor da pele. Negros e brancos não podiam viver nos mesmos bairros, estudar nas mesmas escolas nem usar as mesmas praias. A maioria da população não podia votar.
Mandela entrou no Congresso Nacional Africano, o CNA. No começo, o grupo fazia protestos pacíficos: greves, marchas e cartas ao governo. Mas a resposta do Estado era sempre violenta.
Depois do massacre de Sharpeville, em mil novecentos e sessenta, o CNA foi proibido. Mandela ajudou a criar um braço armado do movimento e passou meses vivendo escondido. Os jornais o chamavam de Pimpinela Negra, porque a polícia nunca o encontrava.
Em mil novecentos e sessenta e dois ele foi preso. Dois anos depois, no julgamento de Rivonia, recebeu prisão perpétua. No tribunal, disse que estava pronto a morrer pelo ideal de uma sociedade livre e democrática.
Mandela passou dezoito anos na ilha de Robben Island. Dormia em uma cela pequena, quebrava pedras em uma pedreira de cal e recebia pouquíssimas cartas. Mesmo assim, organizava aulas para os outros presos. A prisão ficou conhecida como a universidade da ilha.
Fora da África do Sul, o nome dele virou uma bandeira. Havia shows, campanhas e boicotes pedindo a liberdade de Mandela. Dentro do país, a pressão também crescia a cada ano.
No dia onze de fevereiro de mil novecentos e noventa, depois de vinte e sete anos, Mandela saiu da prisão. Milhares de pessoas esperavam na rua. Ele levantou o punho e sorriu, mas pediu calma e negociação, não vingança.
Em mil novecentos e noventa e três, ele e o presidente Frederik de Klerk receberam o Prêmio Nobel da Paz. No ano seguinte, na primeira eleição livre do país, Mandela foi eleito presidente da África do Sul.
Como presidente, ele criou a Comissão da Verdade e Reconciliação. A ideia era simples e difícil: ouvir as vítimas e os culpados, contar tudo em voz alta e seguir em frente sem guerra civil.
Mandela deixou o governo depois de um único mandato e continuou trabalhando por causas sociais, principalmente contra a aids. Morreu em dois mil e treze, aos noventa e cinco anos, respeitado no mundo inteiro.
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