Ele nasceu em mil novecentos e quarenta e dois, em Louisville, com o nome de Cassius Clay.
Aos doze anos, teve a bicicleta roubada. Foi reclamar com um policial, que também treinava boxe, e acabou entrando no ginásio.
Em mil novecentos e sessenta, ganhou a medalha de ouro olímpica em Roma, ainda muito jovem.
No boxe profissional, chamava atenção pelo estilo: pés leves, mãos baixas e uma velocidade incomum para um peso-pesado.
Ele mesmo resumiu o seu jeito de lutar numa frase: voar como uma borboleta, picar como uma abelha.
Em mil novecentos e sessenta e quatro, venceu Sonny Liston e ficou campeão mundial. Poucos apostavam nele.
Logo depois, converteu-se ao islamismo e trocou o nome para Muhammad Ali, dizendo que o nome antigo vinha da escravidão.
Em mil novecentos e sessenta e sete, recusou-se a servir na guerra do Vietnã por motivos religiosos e políticos.
Perdeu o título, a licença para lutar e quase quatro anos da carreira, no melhor momento físico da vida.
A Justiça acabou lhe dando razão. Ele voltou aos ringues mais velho, mais lento e mais admirado.
Em mil novecentos e setenta e quatro, no Zaire, venceu George Foreman deixando o adversário se cansar contra as cordas.
A luta seguinte contra Joe Frazier, em Manila, foi tão dura que os dois disseram ter chegado perto do próprio limite.
Anos depois do fim da carreira, Ali desenvolveu a doença de Parkinson e passou a falar com dificuldade.
Mesmo assim, acendeu a chama olímpica em mil novecentos e noventa e seis, com as mãos tremendo, diante do mundo inteiro.
Ele morreu em dois mil e dezesseis, lembrado tanto pelos títulos quanto pela coragem de dizer não.
Antes de estrear como profissional, Ali já era conhecido por falar muito antes das lutas, prevendo em versos rimados em que round venceria.
Essa lábia toda era também estratégia: ele irritava os adversários e vendia ingressos, transformando cada luta num grande espetáculo.
Depois de recuperar a licença, em mil novecentos e setenta, ele enfrentou Joe Frazier pela primeira vez, numa luta chamada de combate do século.
Ali perdeu aquela luta, sua primeira derrota como profissional, mas voltou a se reerguer nos anos seguintes.
Fora dos ringues, ele viajava para países árabes e africanos, defendendo causas ligadas aos direitos dos negros e dos muçulmanos.
Ali também apareceu em filmes e programas de televisão, e escreveu, com ajuda de jornalistas, livros contando sua própria história.
Ele recebeu a Medalha Presidencial da Liberdade em dois mil e cinco, uma das maiores honras civis dos Estados Unidos.
Até hoje, muita gente o considera não apenas o maior boxeador da história, mas também um símbolo de resistência e dignidade.
Ali costumava treinar cedo, correndo ao amanhecer antes de ir ao ginásio, e dizia que a vitória era construída longe das câmeras, nos treinos difíceis.
Ele teve nove filhos ao longo da vida, e uma de suas filhas, Laila Ali, também se tornou boxeadora profissional de sucesso.
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