Malala Yousafzai nasceu em mil novecentos e noventa e sete em Mingora, no vale do Swat, no norte do Paquistão. O vale é conhecido pelas montanhas verdes e pelos rios frios, e já foi chamado de a Suíça do Oriente.
O pai dela, Ziauddin, era professor e dono de uma escola. Quando Malala nasceu, parentes lamentaram que não fosse um menino, mas ele escreveu o nome da filha na árvore genealógica da família, algo raro na região.
A partir de dois mil e sete, um grupo armado ligado ao Talibã passou a controlar o Swat. As regras eram brutais: proibição de música, de televisão, de mulheres nas lojas e, sobretudo, de meninas na escola. Escolas femininas foram explodidas.
Em dois mil e nove, com onze anos, Malala começou a escrever um diário para o serviço em urdu da BBC, sob o pseudônimo Gul Makai. Ela contava o medo de ir à aula, o barulho dos tiros à noite e a saudade das amigas que tinham fugido.
Quando a identidade dela veio a público, Malala passou a dar entrevistas defendendo o direito das meninas ao estudo. Ganhou um prêmio nacional da paz e ficou conhecida no país inteiro. Também começou a receber ameaças.
No dia nove de outubro de dois mil e doze, um homem armado parou o ônibus escolar, perguntou qual delas era Malala e atirou. A bala atingiu o lado esquerdo da cabeça e saiu perto do ombro. Duas colegas também foram feridas.
Ela foi operada no Paquistão e depois levada para Birmingham, na Inglaterra. Ficou dias em coma. Os médicos reconstruíram parte do crânio com uma placa de titânio e instalaram um implante para recuperar a audição.
O ataque teve o efeito contrário ao pretendido. Em vez de silenciar a menina, transformou-a em um símbolo mundial. Milhões de pessoas assinaram petições pelo direito à educação, e o Paquistão aprovou uma lei de escolaridade gratuita e obrigatória.
No dia do aniversário de dezesseis anos, Malala discursou na sede das Nações Unidas. Disse a frase que a acompanharia desde então: uma criança, um professor, um livro e uma caneta podem mudar o mundo.
Em dois mil e catorze, aos dezessete anos, tornou-se a pessoa mais jovem a receber o Prêmio Nobel da Paz. Dividiu o prêmio com o ativista indiano Kailash Satyarthi, num gesto claro de aproximação entre dois países rivais.
Com o pai, criou o Fundo Malala, que financia escolas e ativistas da educação em países como Paquistão, Nigéria, Afeganistão e Líbano. Ela costuma dizer que prefere apoiar quem já trabalha no lugar a chegar de fora com soluções prontas.
Malala estudou filosofia, política e economia na Universidade de Oxford, e se formou em dois mil e vinte. Escreveu livros, produziu documentários e continuou visitando campos de refugiados.
Ela também insiste em um ponto que muita gente esquece: a história dela não é sobre uma heroína solitária. É sobre milhões de meninas que ainda estão fora da escola e que não tiveram microfone.
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