Gabriel García Márquez nasceu em mil novecentos e vinte e sete, em Aracataca, uma cidade quente do litoral colombiano.
Foi criado pelos avós. O avô contava histórias de guerra; a avó falava de fantasmas com a maior naturalidade do mundo.
Esse tom da avó, contar o impossível como se fosse rotina, virou depois a marca da literatura dele.
Começou a estudar Direito, mas largou o curso e virou jornalista, escrevendo reportagens e crônicas em jornais.
Trabalhou na Europa, passou dificuldades financeiras e continuou escrevendo contos e romances curtos.
Em mil novecentos e sessenta e cinco, dirigindo com a família para umas férias, ele deu meia-volta: tinha visto o livro inteiro na cabeça.
Escreveu durante dezoito meses, enquanto a esposa segurava as contas e vendia objetos da casa.
O resultado foi Cem Anos de Solidão, a história de sete gerações da família Buendía na cidade imaginária de Macondo.
No livro, chove por quase cinco anos, uma personagem sobe ao céu e um homem é seguido por borboletas amarelas.
O romance vendeu dezenas de milhões de exemplares e foi traduzido para mais de quarenta línguas.
Ele escreveu também O Amor nos Tempos do Cólera, uma história de amor que espera mais de cinquenta anos.
Em mil novecentos e oitenta e dois, recebeu o Prêmio Nobel de Literatura, vestido com uma roupa branca típica do Caribe.
Era amigo de escritores e políticos, e sempre disse que suas histórias vinham da realidade da América Latina, não da imaginação pura.
Morreu no México, em dois mil e catorze. Os leitores costumam chamá-lo simplesmente de Gabo.
Antes de ser reconhecido como romancista, García Márquez trabalhava em jornais na Colômbia, no Panamá e na Venezuela, escrevendo sobre política e sociedade.
Ele viveu também em Paris, numa época de pouco dinheiro, quando chegou a vender garrafas vazias para poder comer.
Sua amizade com Fidel Castro, em Cuba, gerou polêmica, já que muitos criticavam o apoio dele ao regime cubano.
García Márquez ajudou a fundar uma escola de cinema e jornalismo em Cuba, voltada a formar novos profissionais latino-americanos.
O termo realismo mágico, usado para descrever seu estilo, mistura elementos fantásticos com a vida cotidiana da América Latina, sem explicações racionais.
Além da ficção, ele escreveu Notícia de um Sequestro e Relato de um Náufrago, livros de não ficção baseados em fatos reais da Colômbia.
Ele mantinha o hábito de escrever todos os dias, de manhã, dizendo que a disciplina era mais importante do que a inspiração.
Depois de sua morte, a Colômbia declarou luto oficial, e seu país natal, Aracataca, se tornou destino de peregrinação para leitores do mundo todo.
García Márquez também escreveu roteiros de cinema e mantinha amizade próxima com outros grandes nomes da literatura latino-americana, como Julio Cortázar e Mario Vargas Llosa.
Seu último romance publicado em vida, Memória de Minhas Putas Tristes, causou polêmica e mostrou que ele continuava escrevendo mesmo já idoso.
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