Friedrich Nietzsche nasceu em mil oitocentos e quarenta e quatro, numa família de pastores protestantes.
O pai morreu quando ele tinha quatro anos, e o menino cresceu cercado pela mãe, pela irmã e por tias religiosas.
Era um estudante brilhante. Aos vinte e quatro anos, virou professor universitário de filologia clássica, um caso raríssimo.
Sempre teve saúde frágil: dores de cabeça terríveis, problemas de visão e crises que o deixavam dias na cama.
Foi amigo do compositor Richard Wagner, a quem admirava profundamente, e depois rompeu com ele de forma dura.
Aos trinta e cinco anos, abandonou a universidade por causa da saúde e passou a viver de forma simples, viajando entre a Suíça e a Itália.
Escreveu quase todos os seus livros nesse período, caminhando pelas montanhas e anotando ideias em cadernos.
Seus textos não seguem o formato acadêmico: são aforismos, frases curtas e fortes, feitas para provocar.
A frase mais citada dele, Deus está morto, não é uma comemoração, e sim um diagnóstico da perda de sentido do mundo moderno.
Nietzsche perguntava o que sustentaria a moral, os valores e o sentido da vida depois que as certezas antigas caíssem.
Em Assim Falou Zaratustra, ele apresenta a ideia do além-do-homem, alguém capaz de criar os próprios valores.
Falava também do eterno retorno: viver como se cada instante fosse se repetir infinitas vezes.
Em mil oitocentos e oitenta e nove, teve um colapso mental em Turim e nunca se recuperou.
Passou os últimos anos aos cuidados da família, e a irmã editou seus escritos, distorcendo partes para agradar grupos nacionalistas.
Ele morreu em mil e novecentos, quase desconhecido. No século seguinte, virou um dos autores mais lidos e discutidos do mundo.
Antes de se dedicar à filosofia, Nietzsche era um talentoso pianista e chegou a compor pequenas peças musicais na juventude.
Ele estudou na renomada escola de Pforta e depois nas universidades de Bonn e Leipzig, onde se destacou nos estudos de textos gregos antigos.
Sua obra O Nascimento da Tragédia, publicada em mil oitocentos e setenta e dois, já misturava filosofia, arte e crítica à cultura de sua época.
Em Além do Bem e do Mal, ele questionou a ideia de verdades absolutas e propôs pensar a moral como algo construído pela história, não dado pela natureza.
Nietzsche criticava duramente o nacionalismo e o antissemitismo, o que torna irônico o uso posterior de suas ideias por regimes totalitários.
Durante a vida, vendeu pouquíssimos exemplares de seus livros, e alguns ele mesmo precisou pagar para publicar.
Depois do colapso mental em Turim, ele viveu ainda mais de dez anos, mas sem conseguir voltar a escrever ou pensar com clareza.
Hoje, expressões como além-do-homem e vontade de poder aparecem constantemente em debates de filosofia, psicologia e até em cultura popular.
Ele também escreveu Ecce Homo, uma espécie de autobiografia filosófica com capítulos de títulos provocadores, como Por que sou tão sábio.
Apesar da fama de pensador sombrio, Nietzsche valorizava o riso, a dança e a alegria como formas importantes de enfrentar as dificuldades da existência.
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